O ex-presidente Michel Temer (MDB) deixou sua casa, no Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, às 14h45 desta quinta-feira para se apresentar àJustiça .
Na noite de quarta, ele havia prometido se entregar voluntariamente,
mas estava esperando a expedição do mandado de prisão. À tarde, a
justiça deu prazo para que ele se entregasse até às17h .
Neste
processo, Temer e outras sete pessoas são investigados por desvio de
dinheiro público nas obras da Usina Angra 3, no Rio. Ele chegou a ser
preso pela Polícia Federal (PF) no meio da rua em 21 de março. Foi solto
quatro dias depois por conseguir um habeas corpus. Carro no qual o ex-presidente Temer saiu de casa para ir até à Superintendência da PF em São Paulo Foto: Reprodução / GloboNewsA
medida foi revogada nesta quarta-feira pela Primeira Turma do Tribunal
Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Também deve voltar para a prisão o
coronel João Baptista Lima, amigo de Temer. Os outros seis
investigados, entre eles o ex-ministro Moreira Franco, tiveram o habeas
corpus mantido.
Parte
das investigações contra Temer foi motivada pela delação de José
Antunes Sobrinho, ex-sócio da Engevix, homologada em outubro do ano
passado. Ele disse ter pago, em 2014, R$ 1,1 milhão de propina a pedido
de coronel Lima e do ex-ministro Moreira Franco, com anuência do
ex-presidente. Foto: Amanda Perobelli / Reuters Antunes
também informou à força-tarefa da Lava-Jato que foi procurado por Lima
em 2010. Na ocasião, segundo ele, o coronel prometeu interferir no
projeto da obra de Angra 3, com o aval de Temer, em troca do pagamento
de propina. A empresa Argeplan, do coronel Lima, participou de um
contrato de R$ 162 milhões com a Eletronuclear para atuar nas obras de
Angra 3, em parceria com a AF Consult, empresa que teve sedes na Suíça e
Finlândia. A construtora Engevix tocaria a obra como subcontratada. Outro
delator, o doleiro Lúcio Funaro, informou à Justiça que o coronel Lima
atuava como operador do presidente Temer junto à empresa estatal
Eletronuclear, responsável pelas obras da usina de Angra 3. Funaro
garantiu que Temer participou de esquemas de pagamento de propina a
políticos do MDB, antigo PMDB, e se beneficiou deles. Segundo
o delator, o ex-presidente teria recebido valores pagos pela
empreiteira Odebrecht, além de ter sido beneficiado em esquemas de
propina no Porto de Santos e também por repasses do Grupo J&F, dos
irmãos Joesley e Wesley Batista.
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