Comentários feitos pelo Radialista Fabiano Gomes, da Rádio Correio da
Paraíba, causaram revolta entre as mulheres e profissionais de
comunicação do Estado. O Sindicato de Jornalistas publicou uma nota
dura, repudiando as atitudes do comunicador. Ele é acusado de
manifestações explicitas de machismo, ignorância e desrespeito às
representantes do sexo feminino. "Incitar à violência, incidir em
preconceito, caluniar, xingar é crime", acusam os dirigentes do
Sindicato e da Federação dos Jornalistas.
No seu comentário, considerado infeliz pelo Sindicato e outras entidades
paraibanas, Fabiano defende que a polícia não pode perder tempo
investigando denúncias contra a exposição de meninas nuas na internet,
por conta da grande quantidade de roubos e homicídios. Na visão do
radialista, as adolescentes de 15 anos estão mostrando o "pinguelo" no
computador para o namorado ver. Quem quiser conferir as declarações
"chocantes" do profissional de rádio da Paraíba é só acessar o link
abaixo
http://www.youtube.com/watch?v=fCyLW-4bwDE
Transcrevemos também a Nota de Repúdio contra o radialista Fabiano Gomes, do Sistema Correio da Paraíba.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba e a
Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) vêm a público manifestar seu
mais veemente repúdio às declarações preconceituosas, machistas,
caluniosas e violentas proferidas pelo radialista Fabiano Gomes nas
edições dos dias 04 e 05 deste mês do programa Correio Debate (Rádio
Correio – 98.3MHz).
No primeiro episódio, Fabiano usou de toda uma sorte de baixas palavras
para se referir às mulheres, incitou a violência física, moral, de
gênero e revelou seu absoluto despreparo profissional para atuar como
radialista, profissão da qual se exigem preparo técnico e intelectual,
compromisso com a verdade, com a ética e com os direitos humanos.
Imediatamente, o jornalista Rafael Freire, que é presidente do Sindicato
dos Jornalistas da Paraíba e vice-presidente regional da Fenaj,
transcreveu em sua página pessoal no Facebook um pequeno trecho do
comentário que o radialista acabara de fazer ao vivo. A reação na rede
social foi imediata, gerando centenas de compartilhamentos e grande
revolta entre o público em geral, mas especialmente em dezenas de
jornalistas, que condenaram a atitude de Fabiano.
Já no dia seguinte, o apresentador usou os dez primeiros minutos do
programa para, de maneira absolutamente hipócrita, desculpar-se com os
ouvintes e as mulheres que se sentiram ofendidas com seus comentários no
dia anterior. Logo em seguida, após o intervalo comercial, esta mesma
pessoa, que acabara de falar em tom manso e que até mesmo se colocara
como vítima de preconceito, atacou, aos gritos, de forma mentirosa e
violenta,o jornalista Rafael Freire, chamando-o de vagabundo, invejoso,
“babão”, afirmando que não representava a categoria e que seu diploma
universitário de jornalista não vale nada porque lhe falta talento.
Por fim, afirmou que a postagem no Facebook era mentirosa e que se fosse
provado que correspondia ao que ele dissera no dia 04, retiraria tudo o
que dissera no dia 05.
Muita coisa poderia ser dita sobre o companheiro Rafael Freire, mas
vamos nos limitar a afirmar que, em seus 12 anos de militância política,
tem se dedicado integralmente às lutas estudantis e do povo
trabalhador, contribuindo (com sua formação política e profissional) em
inúmeras ações para a transformação social do nosso país, sonho de
qualquer homem ou mulher de bem. Além disso, Rafael se formou em
Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela UFPB, em 2006, e,
desde então, exerceu diversos trabalhos como assessor de imprensa em
entidades sindicais, como repórter-fotográfico e como jornalista
responsável pelo periódico A Verdade.
Os gravíssimos fatos aqui relatados são um ataque frontal à cidadania. O
mal uso dos veículos de comunicação na Paraíba e no Brasil está
institucionalizado e deve ser combatido por toda a sociedade, que sofre
com este tipo de comunicação sensacionalista, grotesca, venal,
tendenciosa e antijornalística. Infelizmente, isto tudo não é
consequência apenas do comportamento isolado de uma pessoa. É fruto de
uma estrutura das comunicações cada vez mais monopolizada, preocupada
apenas com seus interesses comerciais e sem nenhum compromisso com o
interesse público e a transformação social.
No mais, queremos responsabilizar também o Sistema Correio de
Comunicações por tudo que é publicado e veiculado por suas empresas, uma
vez que o rádio é uma concessão pública, cedida pela União/Governo
Federal. Ou seja, a liberdade de expressão vai até o limite do respeito e
das leis vigentes, limites frequentemente transgredidos por este
sistema, já que responde na Justiça por ter exibido num programa do
apresentar Samuka Duarte uma cena de estupro e porque, no último mês de
setembro, foi autuado pela fiscalização do Ministério do Trabalho (a
partir de denúncia feita pelo Sindicato), em 23 infrações diferentes por
descumprimento da legislação trabalhista (especialmente pela falta de
pagamentos de horas extras), e isso apenas em relação aos profissionais
do jornal Correio da Paraíba.
Incitar à violência, incidir em preconceito, caluniar, xingar é crime.
Exigimos o direito de resposta a Rafael Freire no referido programa, com
o mesmo tempo de duração do comentário danoso, e declaramos que vamos
buscar os meios legais para que mais este fato não fique impune e que
não se repita.
João Pessoa, dezembro de 2013
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba (Sindjor-PB)/ Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)



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